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Voltando à Blogosfera (acho... rs)
Depois de um longo e tenebroso inverno, resolvi postar alguma coisa nova. Pra falar a verdade, nem é muito nova, pois vou republicar um texto que escrevi tempos atrás. Acontece algo bem interessante, quando as pessoas visitam este blog. A idéia que fazem é de que o "parque" do título se refere a um parque daqueles arborizados, floridos, onde as pessoas vão caminhar, andar de bicicleta, namorar nos bancos etc. Porém a minha idéia é de um parque de diversões - daqueles antigos, com carrossel, roda-gigante e algodão doce cor-de-rosa. De qualquer forma, não me oponho a quem prefira a outra imagem, afinal, o parque é público e cada um o vê como achar melhor. O importante é que, qualquer que seja a imagem, as pessoas se sintam bem ao passear por aqui .
Dito isso, aí vai o texto.
Sobre pessoas e parques.
Minha idéia de parques de diversão pode parecer um tanto antiquada, pois ela ainda se refere a roda-gigante, carrossel e algodão doce cor-de-rosa. Nada contra esses modernos centros de tortura, com torres das quais se despenca de uma altura enorme e que fazem nossos estômagos sairem boca a fora; ou aqueles barcos com movimentos pendulares - que nada lembram a delicadeza dos pêndulos dos antigos relógios de parede. Tudo bem, o mundo é dinâmico e há gosto para tudo. Porém o meu parque é dos antigos - é de um tempo em que a vida parecia andar mais devagar, como o próprio movimento do carrossel. Nada de adrenalina, de fortes emoções, ou estômagos revirados. Tudo calmo e sossegado, sem pressa. É deste parque que gosto. É por ele que vivo passeando. Conheço pessoas assim. Fala mansa, ouvem mais do que falam e, quando falam, a gente fica maravilhado. São pessoas-parques-de-diversão. Há poucas delas por aí, porque perderam seu espaço para as pessoas-centro-de-torturas. Andam meio escondidas, quase que com vergonha de se mostrar. Quando as percebem, muitos apontam-lhes o dedo, fazendo troça. Dizem delas que pararam no tempo, que são saudosistas, que não se adequaram aos novos tempos. Pura inveja ou incompreensão. E digo mais: se há algum parque-de-diversão lendo este texto, não se deixe intimidar pelos centros-de-tortura. Eles são efêmeros. Deles não sobra nada, nem a lembrança, tão fugazes que são. Se ainda há esperança de arrumação para este mundo insano em que vivemos, ela passa pelos parques-de-diversão, com suas rodas-gigantes, carrosséis e algodões doces cor-de-rosa. E se um dia você encontrar com alguns deles por aí, não tenha medo e nem saia correndo, pois não são criaturas de outro planeta. São apenas seres humanos que guardaram consigo a delicadeza, a generosidade, a humildade, o altruísmo e o respeito pela vida - a deles e a de todos os outros.
Escrito por Passeando no Parque às 06h12 PM
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