Passeando no Parque
  

O texto abaixo é um comentário deixado no penúltimo post. Peço licença à autora para fazer dele um post. Sei que ela não se incomodará. Um texto assim merece estar destacado. Muito deste blog foi inspirado nas conversas que tive com ela. Por isso publico aqui esse texto. Uma pequena homenagem a essa pessoa maravilhosa, que escreve coisas belíssimas e que faz a vida da gente ser mais colorida e alegre.

 

O Parque

 

O parque esteve em coma. Ele tinha vida, mas era superdependente de seu amoroso dono, que por um motivo que não nos diz respeito um dia decidiu não mais sonhar.

O parque se ressentiu, foi ficando doente, seus órgãos foram enferrujando e o solo que o sustentava foi ficando árido, sem verde e sem nenhuma outra cor. De um lado o parque; do outro seu dono; e no canto as pessoas que costumavam vir passear neste agradável lugar, saudosas e cabisbaixas... Elas não se conformaram com a morte do parque e resolveram, então, arrumar as coisas para que ele não se tornasse apenas uma lembrança. Saíram do buraco da fechadura e arregaçaram as mangas. Plantaram flores. Pintaram estrelas. Desenharam as rodas gigantes e também o carrossel.

O parque primeiramente se enfezou com aquelas mãos estranhas sobre seu corpo. "Onde já se viu me tocarem dessa forma?" Mas o calor de cada uma delas foi lhe trazendo esperanças e vida. O dono, ao ver todos reunidos, sentiu que era possível transformar sonhos em realidade e se juntou aos amigos e compartilhou com eles as reformas do então “filho” esquecido. As expectativas do dono do parque diminuíram e a do próprio parque também. "Trazer muitas expectativas na mente é como trazer um frasco de veneno disponível para ser tomado na primeira frustração", ambos refletiram, aliados àqueles que tanto gostavam deles... A vida é bela, mas nunca será perfeita... Pois não existe a menor chance de acabarmos com todas as coisas que nos incomodam.

Cada dia que passava o parque ia esquecendo de suas dores, de algumas ilusões, e seu coração ia pegando o ritmo que possui a vida. O ritmo que não pára, mesmo diante dos obstáculos. O parque optou por ser parque e ser feliz. Essa felicidade irradiou e o dono voltou a ser amoroso e feliz. As pessoas também ficaram felizes. E todos sentiram que não existe um outro tempo, senão o presente, para tocar os nossos corações e nos trazer de volta a paz e a felicidade, que é um sentimento que depende de nós. "Vamos lá. Vamos aproveitar o absurdo dessa vida, e rir a beça e sermos mais felizes", gritou alguém correndo com um doce algodão nas mãos.... (26/03/2006)



Escrito por Passeando no Parque às 01h14 AM
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