A Penúltima Hora
(Carta para uma amiga especial)
O céu não mais azulou O ipê não mais floresceu O passarinho não mais cantou O violão não mais tocou A estrela não mais brilhou O sonhador não mais sonhou E a amiga com quem brincou? Foi embora - tudo se acabou.
Queria-te de volta, amiga minha, trazendo o azul daquele céu e as flores multicores do ipê. Trazendo de volta a música, o brilho da estrela, o sonho do sonhador. Trazendo a vida como ela era - brincante, dançante, encantante, rodopiante. Trazendo de volta o teu ser-feliz. Sempre tive medo dessa hora, a hora da derradeira despedida, que sempre imaginei assim: silenciosa, sem avisos a antecipá-la. Sabia que contigo seria dessa forma. Tentei me preparar, mas, confesso, foi em vão. Sinto saudades das conversas, das brincadeiras, de todo aquele clima encantado que se formava quando nos encontrávamos. Sinto saudades de ti. Pra ti eu era um parque-de-diversões, o amigo cor-de-rosa (a mais bela definição de amigo que já vi); pra mim, eras um mundo diferente, com tempo e espaço próprios. Não foi fácil assimilar-te, mas tiveste paciência, e foi isso, talvez, o que mais admirei em ti. Não há muito a falar, pois tivemos a oportunidade, raríssima, de tudo dizer um ao outro enquanto era possível. Isso é amizade, e tu me mostraste o verdadeiro valor do amor de amigo. Amiga sem rosto, amiga sem voz, amiga invisível, hoje, aqui neste parque a que nunca vieste, vejo teus sinais a todo momento. E esta saudade que sinto, mesmo que por vezes dolorosa, é o presente mais delicado dentre todos que me deste, porque é nela que te terei pra sempre. Um beijo meu pra ti, minha amiga eternamente especial.
Escrito por Passeando no Parque às 19h06
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