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Sobre portões, sonhos e amor
Julgamos que o portão aberto é convite para entrar. Sonhamos e fantasiamos. Criamos as nossas quimeras e alegorias, e para elas trazemos outras pessoas, sem que elas saibam. Nada contra sonhar e fantasiar, desde que não se perca o limite. Imaginamos que as outras pessoas saibam que fazem parte desses sonhos e vamos construindo uma estória com elas. Julgamos que tudo o que dizem ou escrevem diz respeito a nós e com isso vamos alimentando a fantasia. Mergulhamos tão profundamente na quimera que acabamos por acreditar que é real, que a estória é verdadeira, que há reciprocidade, que há amor. Aí, um belo dia, alguém nos diz: "Ei, acorda pra vida!" Pronto! É o que basta. Sonhos desfeitos, fantasias rasgadas, coração partido. E dizemos que o amor dói, que o amor adoeceu. Não! O amor não dói ou adoece. Nós é que adoecemos, ao construírmos um sonho baseado em nada. E sentimos dor porque entramos sem pedir licença, sem bater, esquecendo que o amor é via de mão dupla. Invadimos o jardim alheio porque ele é bonito e porque queremos uma flor. Desejamos desvendar os segredos daquele jardim. Não fazemos a pergunta principal: podíamos entrar? E de tanto invadirmos, os portões se fecham e os jardins se acabam. Quando isso acontece chegamos ao cúmulo de acusar os outros pela destruição dos nossos sonhos. Mas que sonho era esse? Nasceu morto, o pobre. E em uma incrível inversão de valores, quem fecha o portão sente-se culpado por um dia tê-lo deixado aberto. É preciso ter cuidado e atenção com portões abertos. Pode ser que sejam mesmo um convite para entrar, mas talvez esse convite não seja para nós.
Escrito por Passeando no Parque às 10h08 AM
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Esclarecimento e Festa
Sinceramente, eu preferiria não estar escrevendo isso aqui. Porém - sempre há um porém - algumas coisas ficam dentro da minha cabeça e insistem em ser postas para fora. Tinha comigo que os blogs seriam espaços para interessantes trocas de idéias, espaços nos quais as pessoas pudessem publicar aquilo que lhes vai à cabeça, sejam poesias, prosas e mesmo suas opiniões pessoais sobre qualquer assunto - o que na verdade era a finalidade primeira dos blogs. Pensava também que as pessoas da comunidade blogueira tivessem mentes abertas e soubessem respeitar e entender opiniões diversas, já que, presumivelmente, seriam pessoas de bom nível cultural. Parece, no entanto, que não é bem assim que a coisa funciona. Tudo vai muito bem quando o que se escreve é poético e vai a favor da maré. Todo mundo comenta e tudo fica bem. Porém, quando se mexe com assuntos considerados tabus, a coisa descamba. Sempre tive horror a qualquer tipo de patrulhamento, seja ele ideológico, religioso, sexual etc. Vivemos em uma democracia (será? começo a ter dúvidas disso), o que pressupõe que temos liberdade para expressar nossas opiniões. Pressupõe, ainda, que essas opiniões devem ser respeitadas, o que não quer dizer, de forma alguma, que elas não possam ser contestadas. Não só podem, como é bom que sejam. A História mostra que isso é verdade. Entretanto essas contestações devem ser feitas de forma respeitosa, no plano das idéias e à luz da razão, pois a emoção, em certos casos, não é boa conselheira. Querer ofender ou desmerecer quem quer que seja, por conta de opiniões pessoais, não acrescenta nada à vida de ninguém. Acho que está claro que estou me referindo ao texto publicado pela Alegria, em 10/07/2004, a respeito da não-crença dela. Aliás, não só dela, mas minha e de muitos outros. Fiz um comentário sobre esse post e parece que teve gente que se ofendeu. Não ataquei ninguém. Apenas disse, por experiência própria, que o texto geraria polêmica e que alguns não entenderiam o ponto-de-vista que ele relatava, o que pode ser comprovado lendo-se alguns dos comentários. Acredito que as pessoas de bom senso não se ofenderam com o tom que dei às palavras. Reafirmo aqui o que eu disse lá: o fato de se crer ou não em deus não desmerece ninguém, não tira de ninguém a luz, e tampouco desencaminha ou encaminha alguém. Não é necessário exorcizar aquele que não crê. O que a Alê escreveu é a opinião dela, com a qual eu e outras pessoas que lá comentaram concordam. Há os que discordam. São idéias pessoais e assim deveriam ser vistas. Criar um dramalhão por causa dessas idéias é querer enxergar chifre em cabeça de cavalo: é vão e insano.
Fazemos assim:
Colocamos sobre a cabeça um boné com a aba para trás.
Em uma das mãos, um pirulito colorido, daqueles bem grandes.
Na outra, um algodão-doce cor-de-rosa.
Sorriso no rosto e jeito moleque, damos de ombros.
Mostramos a língua - traquina - e saímos correndo sem rumo.
Perdidos?
Não – é a festa da vida que nos chama.
Escrito por Passeando no Parque às 10h49 AM
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