Passeando no Parque
   Sobre portões, sonhos e amor

Julgamos que o portão aberto é convite para entrar.
Sonhamos e fantasiamos. Criamos as nossas quimeras e alegorias, e para elas trazemos outras pessoas, sem que elas saibam.
Nada contra sonhar e fantasiar, desde que não se perca o limite.
Imaginamos que as outras pessoas saibam que fazem parte desses sonhos e vamos construindo uma estória com elas. Julgamos que tudo o que dizem ou escrevem diz respeito a nós e com isso vamos alimentando a fantasia.
Mergulhamos tão profundamente na quimera que acabamos por acreditar que é real, que a estória é verdadeira, que há reciprocidade, que há amor.
Aí, um belo dia, alguém nos diz: "Ei, acorda pra vida!"
Pronto! É o que basta. Sonhos desfeitos, fantasias rasgadas, coração partido.
E dizemos que o amor dói, que o amor adoeceu.
Não! O amor não dói ou adoece. Nós é que adoecemos, ao construírmos um sonho baseado em nada. 
E sentimos dor porque entramos sem pedir licença, sem bater, esquecendo que o amor é via de mão dupla.
Invadimos o jardim alheio porque ele é bonito e porque queremos uma flor.
Desejamos desvendar os segredos daquele jardim.
Não fazemos a pergunta principal: podíamos entrar?
E de tanto invadirmos, os portões se fecham e os jardins se acabam.
Quando isso acontece chegamos ao cúmulo de acusar os outros pela destruição dos nossos sonhos.
Mas que sonho era esse? Nasceu morto, o pobre.
E em uma incrível inversão de valores, quem fecha o portão sente-se culpado por um dia tê-lo deixado aberto.
É preciso ter cuidado e atenção com portões abertos. Pode ser que sejam mesmo um convite para entrar, mas talvez esse convite não seja para nós.



Escrito por Passeando no Parque às 10h08 AM
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   Reflexão

O Tempo reclama da pecha que lhe irrogam: carrasco.

_Injustiça, diz ele.

_As pessoas reclamam. Dizem que estás a diminuir-te.

_Não é verdade. Elas é que não cabem mais em mim.



Escrito por Passeando no Parque às 03h13 PM
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   Esclarecimento e Festa

Sinceramente, eu preferiria não estar escrevendo isso aqui. Porém - sempre há um porém - algumas coisas ficam dentro da minha cabeça e insistem em ser postas para fora.
Tinha comigo que os blogs seriam espaços para interessantes trocas de idéias, espaços nos quais as pessoas pudessem publicar aquilo que lhes vai à cabeça, sejam poesias, prosas e mesmo suas opiniões pessoais sobre qualquer assunto - o que na verdade era a finalidade primeira dos blogs.
Pensava também que as pessoas da comunidade blogueira tivessem mentes abertas e soubessem respeitar e entender opiniões diversas, já que, presumivelmente, seriam pessoas de bom nível cultural.
Parece, no entanto, que não é bem assim que a coisa funciona.
Tudo vai muito bem quando o que se escreve é poético e vai a favor da maré. Todo mundo comenta e tudo fica bem. Porém, quando se mexe com assuntos considerados tabus, a coisa descamba.
Sempre tive horror a qualquer tipo de patrulhamento, seja ele ideológico, religioso, sexual etc. Vivemos em uma democracia (será? começo a ter dúvidas disso), o que pressupõe que temos liberdade para expressar nossas opiniões. Pressupõe, ainda, que essas opiniões devem ser respeitadas, o que não quer dizer, de forma alguma, que elas não possam ser contestadas. Não só podem, como é bom que sejam. A História mostra que isso é verdade. Entretanto essas contestações devem ser feitas de forma respeitosa, no plano das idéias e à luz da razão, pois a emoção, em certos casos, não é boa conselheira. Querer ofender ou desmerecer quem quer que seja, por conta de opiniões pessoais, não acrescenta nada à vida de ninguém.
Acho que está claro que estou me referindo ao texto publicado pela Alegria, em 10/07/2004, a respeito da não-crença dela. Aliás, não só dela, mas minha e de muitos outros. Fiz um comentário sobre esse post e parece que teve gente que se ofendeu.
Não ataquei ninguém. Apenas disse, por experiência própria, que o texto geraria polêmica e que alguns não entenderiam o ponto-de-vista que ele relatava, o que pode ser comprovado lendo-se alguns dos comentários.
Acredito que as pessoas de bom senso não se ofenderam com o tom que dei às palavras.
Reafirmo aqui o que eu disse lá: o fato de se crer ou não em deus não desmerece ninguém, não tira de ninguém a luz, e tampouco desencaminha ou encaminha alguém. Não é necessário exorcizar aquele que não crê.
O que a Alê escreveu é a opinião dela, com a qual eu e outras pessoas que lá comentaram concordam. Há os que discordam. São idéias pessoais e assim deveriam ser vistas.
Criar um dramalhão por causa dessas idéias é querer enxergar chifre em cabeça de cavalo: é vão e insano.


Fazemos assim:

Colocamos sobre a cabeça um boné com a aba para trás.

Em uma das mãos, um pirulito colorido, daqueles bem grandes.

Na outra, um algodão-doce cor-de-rosa.

Sorriso no rosto e jeito moleque, damos de ombros.

Mostramos a língua - traquina - e saímos correndo sem rumo.

Perdidos?

Não – é a festa da vida que nos chama.



Escrito por Passeando no Parque às 10h49 AM
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A moça e o passarinho

Na janela aberta pousa o passarinho
Admirado com o olhar
Da senhorinha.

Tem vontade de cantar.

Da janela aberta voa o passarinho
Leva no canto a enluarada princesinha.

Tem vontade de voltar.

À janela aberta volta sempre o passarinho
Traz no canto a melodia da modinha
Um presente à delicada senhorinha.

Tem vontade de ficar.

Pela janela aberta entra o passarinho
E no doce olhar da enluarada sinhazinha
Pousa feliz e faz seu ninho.



Escrito por Passeando no Parque às 11h27 AM
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