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Desenredo (Belíssima letra de Paulo Cesar Pinheiro)
Por toda terra que passo me espanta tudo que vejo A morte tece seu fio de vida feita ao avesso O olhar que prende anda solto O olhar que solta anda preso Mas quando eu chego eu me enredo Nas tramas do teu desejo
O mundo todo marcado à ferro, fogo e desprezo A vida é o fio do tempo, a morte o fim do novelo O olhar que assusta anda morto O olhar que avisa anda aceso Mas quando eu chego eu me perco Nas tranças do teu desejo
A cera da vela queimando, o homem fazendo seu preço A morte que a vida anda armando, a vida que a morte anda tendo O olhar mais fraco anda afoito O olhar mais forte, indefeso Mas quando eu chego eu me enrosco Nas cordas do teu cabelo
Ê Minas, ê Minas, é hora de partir, eu vou Vou-me embora pra bem longe...
Escrito por Passeando no Parque às 06h13 PM
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Uma pausa - Ou prelúdio para uma despedida
A noite está linda. Repararam? Aqui, pelo menos. Céu limpinho, escuro. E tem lua. E tem estrela. Vou olhar o céu. Não perguntem por quê e nem para quê. Apenas vou olhar o céu. Simples assim. Nenhum mistério. Se alguém quiser ir junto, sinta-se à vontade. Pode fazer fogueira, levar violão, dançar a dança da lua. Inegociável condição - única, diga-se de passagem: Não perguntar por quê e nem para quê. Hoje quero apenas olhar o céu. Vamos?
Escrito por Passeando no Parque às 06h18 PM
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Diálogo
- Vontade de ir embora. - Para onde? pergunta uma voz. - Qualquer lugar que não seja este. - Por que quer ir? - Precisa ter porquê? - Geralmente tem. - Dessa vez não, mas se quer algum motivo, vou porque quero. - Quer ir porque quer ir? Coisa doida! - E daí? E se eu for mesmo doido? - Não parece ser... - Mas devo ser. Estou conversando com uma voz. - É, faz sentido. - Faz? - É, não faz. - Afinal, faz ou não faz? - Não sei, você está me confundindo. - Tá vendo? Tenho mais é que ir mesmo. Nem você me entende. - ... - Agora ficou muda? Uma voz muda, era só o que me faltava. - Estou confusa, só isso. - Você tem um dono, uma boca? - Já tive, me perdi. - E agora? - Agora não sei. Acho que vou embora. - Por quê? - Precisa de um porquê?
Escrito por Passeando no Parque às 06h32 PM
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Falando besteiras
Este ardor que me consome Fogo selvagem que queima em mim Que mais poderia ser Além da maldita pimenta que comi no jantar?
Escrito por Passeando no Parque às 11h12 PM
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Dissonâncias
Em música, diz-se que são dissonantes "os intervalos que não satisfazem a idéia de repouso e pedem resolução em uma consonância". Quando encadeados de forma inteligente e criativa, e, sobretudo, se o compositor tiver sensibilidade, acordes dissonantes produzem harmonias belíssimas. Somos dissonantes, é verdade, mas há inteligência, criatividade e sensibilidade. Podemos, então, com as nossas dissonâncias, compor a harmonia e, assim, a melodia se fará bela e delicada. Amor dissonante - por que não?
Escrito por Passeando no Parque às 04h37 PM
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Embananado
[Viajandonamaionese] isso é tudo que consegue fazer? Bêbados tirados de sua própria realidade e cascas de banana que matam? Um escritor banana.
Esse comentário, deixado no post anterior, foi interessante e me fez pensar algumas coisas. Imagino que para se ter alguma chance de ser um escritor-banana deve-se preencher, ao menos, um requisito, de dois básicos: ou ser escritor, ou ser uma banana. Não tenho a menor dúvida quanto ao primeiro: não sou escritor. Quanto ao segundo, bem, confesso que fiquei meio confuso. Nunca havia pensado nisso: poderia eu ser uma banana? O pior é que isso levaria a algumas conclusões desagradáveis e assustadoras, pois gosto de bananas e as como frequentemente. Assim, sendo eu uma delas, seria também um canibal. Uma banana canibal! Horrorizado diante de tal perpectiva, e como não tinha nada melhor para fazer nesta tarde chuvosa de sábado, comecei uma investigação minuciosa. Fui olhar-me ao espelho. De início não vi nada que me fizesse parecido a uma banana, mas, depois de algum tempo, reparando nas pintas que tenho sobre a pele branca, achei que poderia haver alguma semelhança. Então liguei para alguns amigos, pessoas de bom senso. Perguntei-lhes sobre a possibilidade de eu ser uma banana. Disseram que não, depois do espanto inicial frente a pergunta tão inusitada. Alguns ainda sugeriram que depois de umas doses a mais, talvez até pudessem me enxergar como uma , mas aí não haveria nenhum fundamento, já que esta é uma investigação séria, e depois algumas doses pode-se ver qualquer coisa. Pois bem, quase me convenci, mas vocês sabem como são os amigos. Às vezes tendem a ser parciais. Por isso fui até a quitanda da esquina e fiz a mesma pergunta à quitandeira, Dona Augusta. A pobre senhora ficou a olhar-me com assombro, e eu, ainda mais assombrado, tive a nítida impressão de que ela olhava para uma banana. Mas Dona Augusta logo disse que não. Insisti para que prestasse bem atenção, cheguei até a ficar ao lado da banca das bananas. Mesmo assim ela negou: "Não, você não se parece em nada com uma banana". Bem, depois da palavra abalizada de uma profunda conhecedora do assunto, resolvi encerrar minha investigaçao, convencido que estou de que realmente não sou uma banana. Portanto, pelo exposto, não posso ser um escritor-banana, uma vez que não sou nem escritor e nem uma banana. O melhor de tudo é que posso continuar a comê-las sem nenhuma culpa ou constrangimento.
A você, autor do comentário que instigou a minha investigação, muito obrigado por dar-me algo em que pensar nesta tarde chuvosa de sábado. Se puder me dar seu endereço, lhe mandarei um cacho de bananas, como agradecimento a sua generosidade.
Por algum motivo obscuro, perdi comentários referentes a este post. Apesar disso, li todos eles. Agradeço e peço desculpas aos seus autores.
Escrito por Passeando no Parque às 03h33 PM
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Desenredo III - e último (será?)
Resolvi não continuar a história. Deixemo-la assim. Como eu disse em alguma resposta a algum comentário (minha memória é fogo), o finado nasceu apenas para escorregar na casca de banana, que, na verdade, é a principal personagem daquele projeto de conto. Porém, apesar de curtíssima, a vida do morto (isso ficou dúbio) foi de uma qualidade ímpar. É o que vale.
Escrito por Passeando no Parque às 04h51 PM
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Um anjo especial
Estava passeando por alguns blog e, em um deles, me deparei com uma
garotinha linda, uma garotinha especial. Fiquei a ler as coisas que o pai
escreve sobre ela. Saí de lá com a sensação de que vida é bela, muito bela.
Querem ver o que é amor? Cliquem aqui e
conheçam um anjinho especial.
Escrito por Passeando no Parque às 07h01 PM
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Desenredo II
Cascas de banana existem às pencas em nossas vidas (desculpem o trocadilho infame, mas não resisti). Às vezes nos desviamos delas, em outras escorregamos e caímos. A morte, em si mesma, é banal, se tomarmos banal em seu sentido literal de coisa corriqueira. A morte é corriqueira e, em minha modesta visão de mundo, é nada mais, nada menos que o nada. Não importa se houve, ou não, amores perdidos, beijos na boca, luares e estrelas; não importa se a causa foi uma casca de banana fora do lugar, ou um infarto fulminante. Morreu! Fim absoluto. Concordo com a Alê: quisera eu morrer sentindo a paz do tal personagem. Morreu em dia bonito, ensolarado e de céu azul, com um sorriso no rosto. Porém, já que o assunto é interessante e polêmico, em algum dos próximos posts vou continuar a história do personagem. Ela recomeçará no exato instante de sua morte, e, obviamente, seu desenrolar será mera especulação. Afinal, se existe um "lado de lá", eu nunca estive nele.
Escrito por Passeando no Parque às 04h21 PM
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Desenredo
O dia amanhecera belíssimo e convidava para um passeio. Céu azul, sol e uma leve brisa fresca. Saiu a caminhar. Ouvia o canto dos passarinhos, olhava as flores dos jardins da praça. Com um largo sorriso, cumprimentava as pessoas que lhe cruzavam o caminho: o senhor que passeava com seu pequeno cão; a mãe que empurrava o filho no carrinho. Tudo estava em seu lugar, tudo perfeito, e esta pequena história acabaria assim, deixando a sensação de que a vida é bela e transcorre harmoniosa. Porém não acredito nessa harmonia da vida. Então, em algum lugar, alguém joga uma casca de banana no chão. E lá vai nosso personagem, caminhando despreocupadamente, até escorregar na dita casca. Cai, bate a cabeça e morre.
Escrito por Passeando no Parque às 11h56 AM
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Apenas passeando
Não estou escrevendo nada. Não sinto vontade de escrever sobre coisa nenhuma. Enquanto estou assim, passeio pelos blogs de vocês, às vezes comentando, às vezes me calando. Sem crises, em paz.
Escrito por Passeando no Parque às 04h44 PM
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BRASIL, Sudeste, Homem, de 46 a 55 anos
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