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Rabiscando com Alegria
Cheguei à bifurcação. Dois caminhos somente. Direita ou esquerda. Vou pelo meio. Como? Só há dois caminhos. Direita e esquerda. Faço outro. Vou pelo meio. Não pode. Tem que escolher um ou outro. Não quero. Escolhe. Não escolho. Não pode. Então não vou. Fico. Sou. Estou. Pronto.
Inspirado no post "Rabiscos simplesmente", publicado pela encantadora Alegria.
Escrito por Passeando no Parque às 09h27 PM
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Antes de mais nada, quero dizer que estou bêbado. Sim, bêbado. Estou escrevendo isso aqui depois de uma garrafa de uísque. Ia falar sobre outra coisa, mas dois comentários do post anterior me deixaram curioso. Chamaram-me de amiga. Por quê? Será que passear no parque é algo exclusivamente feminino? O que chama à atenção é o fato de os dois comentários terem sido feito por mulheres. Coincidência? Queria falar mais sobre isso, mas minha condição não permite.
Vinícius tinha razão. O uísque é o melhor amigo do homem. É o cachorro engarrafado.
Escrito por Passeando no Parque às 03h49 AM
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Encontros e despedidas
Perguntinha que fiz lá no blog da Dira, e que deixo aqui para quem quiser responder: por que sempre escrevemos sobre despedidas e saudades? Será que viver é um eterno partir? E, se não é assim, por que então não escrevemos sobre recomeços e chegadas?
Depois de postar, vi que no blog da Ariane e da Geórgia tem uma resposta pra essas perguntas. Vale ler o texto.
Escrito por Passeando no Parque às 06h04 PM
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Epílogo
Então é adeus Adeus soa para sempre Definitivo Implacável Deixa o gosto amargo de não se saber o que poderia ter sido De não se ter vivido o que foi imaginado Gravidez interrompida à força Assim é esse adeus - um aborto.
Escrito por Passeando no Parque às 11h22 AM
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Cruzamento de vidas
Menino tá no cruzamento. Sinal fecha, o carro pára. Menino faz malabarismos com um cabo de vassoura. Deveria estar na escola. É um artista. O pedaço de pau dança em suas mãos. Sobe ao alto, desce, parece que vai cair. Mas o pé do menino o faz voltar pra cima. Menino desafia a gravidade - da física, da hora, da vida. Dentro do carro, alguém finge que não vê. Olha pros lados, pro relógio. Impaciência: o sinal que não abre. E esse menino aí, fora do lugar, do contexto. Janela se fecha, sinal abre. Tarde demais. Menino já entrou pela janela.
Escrito por Passeando no Parque às 09h34 AM
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Sobre pessoas e parques
Minha idéia de parques de diversão pode parecer um tanto antiquada, pois ela ainda se refere a roda-gigante, carrossel e algodão doce cor-de-rosa. Nada contra esses modernos centros de tortura, com torres das quais se despenca de uma altura enorme e que fazem nossos estômagos sairem boca a fora; ou aqueles barcos com movimentos pendulares - que nada lembram a delicadeza dos pêndulos dos antigos relógios de parede. Tudo bem, o mundo é dinâmico e há gosto para tudo. Porém o meu parque é dos antigos - é de um tempo em que a vida parecia andar mais devagar, como o próprio movimento do carrossel. Nada de adrenalina, de fortes emoções, ou estômagos revirados. Tudo calmo e sossegado, sem pressa. É deste parque que gosto. É por ele que vivo passeando. Conheço pessoas assim. Fala mansa, ouvem mais do que falam e, quando falam, a gente fica maravilhado. São pessoas-parques-de-diversão. Há poucas delas por aí, porque perderam seu espaço para as pessoas-centro-de-torturas. Andam meio escondidas, quase que com vergonha de se mostrar. Quando as percebem, muitos apontam-lhes o dedo, fazendo troça. Dizem delas que pararam no tempo, que são saudosistas, que não se adequaram aos novos tempos. Pura inveja ou incompreensão. E digo mais: se há algum parque-de-diversão lendo este texto, não se deixe intimidar pelos centros-de-tortura. Eles são efêmeros. Deles não sobra nada, nem a lembrança, tão fugazes que são. Se ainda há esperança de arrumação para este mundo insano em que vivemos, ela passa pelos parques-de-diversão, com suas rodas-gigantes, carrosséis e algodões doces cor-de-rosa. E se um dia você encontrar com alguns deles por aí, não tenha medo e nem saia correndo, pois não são criaturas de outro planeta. São apenas seres humanos que guardaram consigo a delicadeza, a generosidade, a humildade, o altruísmo e o respeito pela vida - a deles e a de todos os outros.
Escrito por Passeando no Parque às 11h09 AM
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Uma paixão antiga
A paixão foi imediata, percebestes isso. Tímido, hesitei por muito tempo. Observava-te de longe, furtivamente, mas tu percebias, sabias já que a paixão era irremediável. Olhava os outros que te tocavam com maestria, com desenvoltura, e me consumia em ciúmes, em raiva, ao ver como brilhavas em mãos que não as minhas. Tentei deixar-te de lado. Procurei outro, mas tu eras o meu destino. Minhas mãos eram para ti. Aproximei-me aos poucos, longe de olhares alheios. Tinha vergonha que me vissem contigo - era tão desjeitado. Teu corpo não se encaixava no meu, minhas mãos não sabiam o que fazer. Devagar fui aprendendo os teus segredos. Não foi fácil, pois és misterioso. Fui paciente, pois te queria saber, te queria sentir. Aprendi que com uma das mãos deveria ferir-te, e com a outra, acariciar-te. Era assim que gostavas, é assim que ainda gostas. Sentia-me frustrado, quando percebia que não respondias aos toques, às carícias que te fazia. Mas tu parecias dizer: "não desiste!". E não desisti. Fostes das poucas coisas das quais não desisti. Acostumei-me contigo em meu colo e tu já se encaixavas perfeitamente em mim. Não sentia mais vergonha, se me vissem contigo; já tinha consciência de que tu brilhavas em minhas mãos, tanto ou mais que em outras. Provocas ciúmes, sabes disso. Não entendem como posso passar tantas horas contigo. Seria preciso olhar para dentro de mim, para entender, mas poucos conseguem um olhar assim. Não me importo. És meu companheiro constante, de todas as horas. Não posso dormir sem fazer-te uma última carícia, sem ferir-te ainda uma vez, sem ouvir-te extasiado, sem olhar-te admirado - alma de homem em corpo de mulher. Paixão eterna, é o que tu és... antes e mais do que um simples violão.
Escrito por Passeando no Parque às 05h56 PM
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Receita para um bom dia
Corre atrás do vento e voa pelo céu da boca Rasga-te em retalhos e mergulha em pensamentos Não corre - anda em câmera lenta Guarda um tempo para prosear Passeia por um parque - qualquer um Sonha, até tua alma andar perdida Sem medo de ser feliz.
Escrito por Passeando no Parque às 08h49 AM
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Porque és...
Porque és sorriso de manhã ensolarada. Porque és olhos de noite enluarada. Porque és serenata de todas as horas. Porque és música constante em meus ouvidos. Porque és imagem da doçura nos meus olhos. Porque és prece noturna nos meus lábios - lábios que nem sabiam fazer preces. Porque és sonho - do que virá, e realidade - que já veio. Porque és vida que se renova em mim. Porque és ipê amarelo - de todas as cores - que se desfolha em tapete delicado. Porque és silhueta que distingo na penumbra. Porque és parque encantado por onde passeio. Porque és sapeca e intensa. Porque és alma querida. Porque és barco e cais. Porque és amor - o meu - personificado.
Escrito por Passeando no Parque às 05h12 PM
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Aqui perto tem um ipê amarelo. Sempre que posso, dou uma passadinha pela rua, paro e fico admirando aquela árvore. Gosto de vê-la florida, mas o que gosto mesmo é de ver as flores caídas na calçada e em parte da rua. Formam um belo tapete amarelo, e dá vontade da gente passear por ele, descalço. Outro dia disseram que havia a possibilidade de cortarem a árvore, porque fazia muita sujeira. Sujeira? Como podem dizer tamanha bobagem? Um lindo tapete amarelo virou sujeira, na visão concretista de certas pessoas. Talvez prefiram olhar os postes, cheios de fios horrorosos pendurados. Fazer o quê... cada um enxerga o que pode, ou o que quer. Se depender de mim, o ipê fica lá, forrando o asfalto com suas belas flores amarelas. Porém, se não houver outro jeito e resolverem mesmo dar cabo dele, eu o levo pro meu parque. Lá ficará protegido e poderá fabricar tapetes o ano todo.
Escrito por Passeando no Parque às 04h38 PM
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Meu perfil
BRASIL, Sudeste, Homem, de 46 a 55 anos
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