Passeando no Parque
   Falta inspiração

Acho que a tal inspiração, essa moça sempre inconstante em minha vida, abandonou-me de vez. Cansou de mim. Não a culpo. Muitas vezes ela veio, mas eu estava sem tempo ou com preguiça. Em outras, minha memória cada vez mais fraca não guardou as idéias que a moça me trazia. É, ela cansou de mim. Deve estar por aí, passeando em outros parques. Quem sabe eu aprenda a lição. (Se um dia vc voltar, moça, não deixarei que se vá outra vez, porque não há nada mais angustiante do que ter vontade de escrever e não saber sobre o quê.)

Escrito por Passeando no Parque às 05h47 PM
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   Morrem sonhos todos os dias

Eis-me aqui. Tu me chamaste, eu vim. E agora?
Pensaste que isso bastaria, que seria fácil?
Acreditaste mesmo naquilo que escreveram sobre mim?
"Ele nada cobra"; "basta-se a si próprio".
Leste essas tolices e tomaste-as como verdade. Em algum momento tiveste a idéia de perguntar a mim?
Não. Preferiste crer no que outros disseram.
Tu me chamaste, eu vim. O que tu não sabias era que, quando venho, trago comigo a necessidade de escolhas. Ou pensavas que eu as faria por ti? Não, mil vezes não. As escolhas são tuas.
Ao contrário do que pensaste, a minha chegada, por si só, não resolve nada. Eu não resolvo nada. Tu é que deves resolver tudo.
Se não estavas preparado para assumir tuas escolhas, não devias ter me chamado.
Agora te encontras angustiado e lamentas, perguntando de quem é a culpa. Ela não é de ninguém, senão tua, só tua. Pois tu me chamaste, eu vim, e agora não sabes o que fazer comigo. Esperas, ansioso, que eu te diga. Mas nada tenho a dizer-te.
Queres me matar, mas não podes. Vivo independente da tua vontade. Vivo independente do desejo de qualquer um.
Tu me chamaste, e eu não sou de se brincar.
Não vivo nos sonhos, apenas nasço neles. Isto tu não sabias, não é?
Também não sabias que, quando venho, não trago as possibilidades de me viveres.
Não resolvo o teu destino, nem te trago o amanhã: eles dependem de ti.
E agora? Tu me chamaste - o Amor. Eu vim. E é só o que posso fazer por ti.


Inspirado em um texto da Ariane, postado no Retalhos e Pensamentos em 16/04/2004, sob o título "Sonhos".



Escrito por Passeando no Parque às 02h33 PM
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   Vazio

Alguns dias de praticidade necessária - ou imposta?. Não há espaço para sonhar.
Sou assim. Não consigo conciliar as duas coisas.
Sou dois, três, mil, às vezes nenhum - como agora.
Pensamentos vão e vêm - confusos, difusos, entrecortados.
Não quero pensar, existir, sonhar - não quero nada.
Por negação, quero tudo - o não-pensar, o não-existir, o não-sonhar.
Um poeta disse: "nascer é muito comprido".
Mas quanto? Até quando?
Estou cansado desse interminável nascer.

Escrito por Passeando no Parque às 09h30 AM
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   Ainda sobre morrer...

Morro quando, insensível, não percebo que a alegria quer ir embora. Ela sinaliza, como quem diz "olha, não percebe? preciso de atenção, preciso de carinho". Mas, tolo e insensível que sou, insisto em ignorar os sinais. Ora, que se danem os muros, as favelas e tudo o mais. Que me importa isso tudo, se a alegria for embora? Esse é meu pior pesadelo...



Escrito por Passeando no Parque às 04h41 PM
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   Quando será que morremos?

E a vida continua... um sonho podado aqui, outro desabrochando ali.
Descobriram a solução para o problema da Rocinha: um muro. Isso mesmo, um belo muro de 3 metros de altura. Se querem se matar, matem-se lá dentro, contanto que cá fora nos deixem em paz. Fantástico. Depois tentaram explicar: não era um muro, desses de concreto - era apenas uma figura de linguagem. O que se quis dizer foi que era preciso estabelecer um limite, não por questões de segurança ou violência, mas porque a favela avança em direção à floresta. Faz diferença? Poupem-me!
Vão institucionalizar o gueto.
Acho que vou reescrever a primeira frase deste texto: e a vida continua... um pesadelo nascendo aqui, outro nascendo ali. Quantos pesadelos ainda haveremos de ter? Quero acordar urgentemente. Pesadelos me apavoram.
Falando em muros... A Mel, do Voando Pelo Céu da Boca, ao comentar um post em outro blog (Retalhos e Pensamentos), diz:"O Rio (de Janeiro) sangra. Isso me abala sensivelmente. Porque os mocinhos sempre morrem no final, sobrando os bandidos que nos assaltam os sonhos e destroem o lúdico das crianças. Onde será que morremos?"
Onde será que morremos? Morremos nessas idéias de erguer muros. Mas a pergunta que fica me atormentando é: quando será que morremos?  Começamos erguendo os muros de nossas casas, para nos isolar dos vizinhos, porém não percebemos que, ao fazer isso, estamos erguendo o muro da ignorância, da intransigência, da intolerância e do egoísmo, ao mesmo tempo em que destruimos o alicerce do bom-senso, do respeito e da solidariedade. Daí a querer murar uma favela inteira é apenas um passo.
Alguém me acorde, por favor. Pesadelos me apavoram.


Em tempo: o contador on line registra agora 2 passeantes no parque. Devia mesmo estar com defeito (Não se esqueçam, posso acreditar no que eu quiser rs).


Adoro ser feliz

Como é de costume, fui fazer uma visitinha ao blog Adoro Ser Feliz. Quase caí da cadeira: não tem mais blog. Fim! Que pena. Minhas manhãs não serão mais as mesmas, sem os posts da Alegria. Torcendo aqui pra que não seja definitiva essa decisão. 



Escrito por Passeando no Parque às 03h07 PM
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   Passeantes on line

Estou ficando intrigado. Das duas, uma: ou esse contador de visitantes on line está me sacaneando, ou só eu visito este blog. Porque a cada vez que entro na página, está lá: 1 passeante no parque, ou seja, eu mesmo. Como posso acreditar no que quiser, quero crer que o contador esteja com defeito. Em todo caso, darei mais uma chance ao pobre coitado. Todos merecem uma segunda chance, mesmo um contador de visitas on line. Da próxima vez que entrar na página, vou verificar. Se não se emendar, adeus, contador. Quem precisa dele?



Escrito por Passeando no Parque às 10h51 AM
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   Mundo pequeno

O mundo é pequeno, muito pequeno. Hoje aconteceu um fato interessantíssimo. Estava navegando pela net e resolvi entrar em uma sala de chat. Escolhi aleatoriamente. Logo estava conversando com duas ou três pessoas. Para minha surpresa, uma delas é alguém que fazia parte da mesma turma que eu, lá pelos idos de 1980. Quantas lembranças boas afloraram. Lembranças dos amigos em comum, das farras, do bar do Valtinho - lá no canto do Forte, onde passávamos madrugadas papeando e tocando violão. Imagina só, depois de tanto tempo, encontrar alguém dessa maneira. Eu me mudei, ela se mudou - mora em outro estado -, perdemos contato com a turma, mas, de repente, nos reencontramos em uma sala de bate-papo. Conversamos um tempão e já há até uma idéia para tentar reunir a turma novamente. Difícil? Certamente, pois cada um seguiu seu próprio caminho. Impossível? Depois de hoje, alguém terá coragem de dizer que sim?  Viva a net, esse mundo vasto e louco de pessoas não menos loucas, mas que nos proporciona surpresas como essa. Estou feliz!



Escrito por Passeando no Parque às 07h07 PM
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Tava olhando aqui as ferramentas do blog. Parei no perfil. Estou indignado. Para poder publicar um perfil, devo obrigatoriamente selecionar o sexo. E se eu não quiser selecionar?  Que porcaria isso. Será que um perfil depende necessariamente do sexo? Olhando com mais atenção, esse perfil do uol é ridículo. Acho que deveriam deixar que escrevêssemos livremente sobre nós mesmos. Por exemplo, meus passatempos preferidos são olhar as nuvens, ouvir passarinhos cantando no jardim da praça, conversar fiado com os amigos, etc. Procurei nas opções: tem de tudo, até dinheiro - isso lá é passatempo? - menos olhar as nuvens, ouvir passarinhos e conversar fiado com os amigos. Tenha dó. Tudo bem, tem um campo livre, no qual eu poderia escrever meu passatempo, mas, ainda assim, preciso obrigatoriamente escolher o sexo. Ficarei sem perfil.



Escrito por Passeando no Parque às 02h37 PM
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   A Semana Santa e o bacalhau

Pois é, Semana Santa. Dias de comer bacalhau - caríssimo! - e ovos de páscoa - não menos caros que o bacalhau. Esses dias entrei em um supermercado e vi os preços desse peixe horrível. Tava lá, anunciado: bacalhau do Porto - R$ 50,00 o kg. Havia outros, de nem sei onde, por bem menos: R$ 12,00 o kg. Não entendo nada de bacalhau, muito menos da diferença de preço entre cada um dos tipos. Só sei que todos são malcheirosos e têm um gosto horripilante.
Dizem que não posso comer carne. Sinal de respeito, um pequeno sacrifício. Se comer, queimarei no fogo do inferno. Tudo bem, não como, para não criar confusão, mas não acredito em nada disso. Mesmo porque faço coisas muito piores durante o ano todo. Portanto, sob esse ponto de vista, o fogo do inferno já me aguarda, comendo eu carne ou não. Quanta tolice. Tenho cá comigo que essas coisas foram inventadas por algum esperto comerciante de bacalhau. Usou o Santo Nome e a inocência da crença para encher os seus cofres. Acredito até que neste momento deva estar saboreando uma deliciosa picanha, que custa bem menos que os R$ 50, 00 do bacalhau que ele vende. Pois lhe digo uma coisa, sr comerciante desse peixe fedorento: cuidado, pois se isso é mesmo verdade, não é a mim que o fogo do inferno irá queimar.



Escrito por Passeando no Parque às 02h14 PM
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   Solidariedade e a fugacidade da notícia

Puxa vida, quanta gente solidária neste mundo. Estava lendo os comentários a respeito do meu último post, que fala sobre preguiça. Tem muita gente que pensa como eu, ou quase como eu. Proponho formarmos a sociedade dos anti-trabalhistas. Nosso lema seria "Abaixo o trabalho. Viva a preguiça!". Como bem disse a Dira (visitem o blog dela, é muito bom), em um dos comentários, neste país, quem trabalha não ganha dinheiro. Por isso, chega de trabalhar. Façamos a revolução dos preguiçosos.


Li em algum lugar alguém falando sobre o caso Zeca Pagodinho. Dizia mais ou menos assim: "Sei que este é um assunto já ultrapassado, mas gostaria de sizer algo...". O que me chamou a atenção foi a expressão "assunto ultrapassado". Isso me fez pensar em como as notícias são efêmeras. O assunto Zeca, em si mesmo, não tem lá muita importância. Que diferença faz na minha vida se ele bebe uma ou outra cerveja, ou se foi ético ou não foi. Mas a maneira como os assuntos são tratados pela mídia, de um modo geral, é no mínimo preocupante. Em um momento inicial, a notícia é veiculada com estardalhaço: vira manchete de jornal escrito, letras garrafais; tem destaque no Jornal Nacional (a glória de qualquer notícia é ser veiculada em rede nacional), enfim, vira o assunto do dia em rodas de amigos, no trabalho, etc. Passado este momento inicial, o destaque já não é o mesmo, como se o passar do tempo tirasse da notícia toda a importância, a carga de drama que carrega. E isso acontece até que ninguém mais toque no assunto, nem a mídia, nem as pessoas. Parece que nada aconteceu, tem-se apenas uma vaga lembrança daquilo tudo. Esse raciocínio me remete a um post deste blog, no qual trancrevi um aforismo de Nietzsche, em que ele fala sobre a possibilidade do eterno retorno. Esse mesmo aforismo é citado no livro "A Insustentável Leveza do Ser", de Milan Kundera. Em um dado momento, esse autor fala que, olhando fotos antigas de Hitler, sentiu-se feliz, porque elas lhe lembravam momentos de sua infância. Diz ele, ainda, que viveu essa infância no período da Segunda Guerra Mundial e que muitos membros de sua família perderam as vidas em razão do nazismo. Vejam bem que, apesar de todos os horrores perpetrados pelo ditador nazista, e vividos por Kundera, ele diz que a visão dessas fotos lhe causa um certo saudosismo. E diz mais: que isso acontece justamente porque não há retorno, que aquela guerra aconteceu uma única vez e, por isso, à medida que o tempo passa, as lembranças dos horrores já não chocam mais. Voltando ao tema central deste texto, penso que o que ocorre com a notícia, hoje, é justamente isso. O tempo passa e ela deixa de ser interessante, porque é preciso veicular outros acontecimentos, porque é preciso renovar a cada dia a manchete principal, é preciso causar impacto. Com isso, assuntos importantes acabam esquecidos e, pior de tudo, muita gente sai impune das falcatruas que comete. Culpa só da mídia? Não, a culpa maior é nossa, que aceitamos as coisas sem questioná-las e deixamos que o tempo se encarregue de apagar de nossas mentes aquilo que jamais deveria ser esquecido.



Escrito por Passeando no Parque às 03h54 PM
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   Que pregui...

Hoje estou com uma preguiça daquelas. Não fiz absolutamente nada. Trabalhar, nem pensar. Aliás, quem inventou o trabalho devia estar de péssimo humor. Trabalhar é contra a natureza humana - opinião pessoal minha, claro. Muita gente vai querer me fuzilar ao ler isso. Mas garanto que uma grande maioria vai concordar comigo, ainda que veladamente. A estes não critico, pois é complicado assumir a ojeriza pela labuta nossa de cada dia. Eu, entretanto, falo em alto e bom som: não gosto de trabalhar. Pensa bem, não é muito melhor passar as horas ouvindo um cd, lendo um bom livro, ou curtindo uma praia? Claro que é. Sim, alguns dirão que pra poder fazer isso é preciso ter dinheiro, logo, é preciso trabalhar. Tudo bem, não vou discordar, mesmo porque não quero entrar em discussões aprofundadas sobre modos de produção, etc, etc; daria muito trabalho e, como já disse, não gosto de trabalhar. Chega! Escrevi demais e já estou cansado. Se continuar assim, este blog se tornará um trabalho e aí... acabo com ele!

Escrito por Passeando no Parque às 03h57 PM
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   Agradecimento

Gostaria de agradecer a todos que visitam este blog. Confesso que não esperava muita gente, já que nem tinha a pretensão de dar continuidade a isto aqui. No entanto, tenho sido surpreendido pelo número de visitas e comentários. A propósito disso, quero me desculpar por não responder diretamente a todos - nem sempre disponho de tempo suficiente. Entretanto saibam que leio tudo o que escrevem aqui e procuro visitar os blogs de vocês. Se ainda não fui ao de alguém, aguarde, pois aparecerei em breve. É isso. Venham sempre!

Escrito por Passeando no Parque às 04h21 PM
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   Ouvir estrelas... e olhar as nuvens

Devemos olhar as nuvens. Porém devemos olhá-las com o olhar de quem ouve estrelas. Conversava com uma amiga e esse assunto veio à baila. Lembramos dos tempos em que, crianças ainda, costumávamos passar horas olhando as nuvens e procurando vislumbrar os desenhos que se formavam. Tínhamos todo o tempo do mundo. A vida ainda não cobrava responsabilidades maiores. Ainda não nos julgávamos importantes e cheios de razão. Mais ainda, não sentíamos vergonha de dizer, se alguém nos perguntasse, o que fazíamos ali, deitados, olhando o céu. Respondíamos, com a mais pura inocência, que estávamos a ver as nuvens. Disse minha amiga que cada um de nós vê algo diferente, ainda que olhemos para a mesma forma. Ela tem razão. A nuvem que para mim tem forma de um elefante, para você poderá parecer uma árvore. Não importa o que se vê. O importante é que, vez ou outra, paremos um pouco, deitemos no chão, olhemos para o céu e deixemos solta a nossa imaginação. É preciso, urgentemente, alimentar a criança que ainda nos habita. E ela, dentre outras coisas, se alimenta de estrelas e de nuvens. Ouçamos, pois, o que dizem as estrelas... e olhemos as nuvens no céu.

Escrito por Passeando no Parque às 11h29 PM
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   Que tal ouvir as estrelas?

                                "Ora (direis) ouvir estrelas!  Certo
                                Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
                                Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
                                E abro as janelas, pálido de espanto ... 
  

                                E conversamos toda a noite, enquanto
                                A via láctea, como um pálio aberto,
                                Cintila.  E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
                                Inda as procuro pelo céu deserto.
 

                                Direis agora: "Tresloucado amigo!
                                Que conversas com elas?  Que sentido
                                Tem o que dizem, quando estão contigo?"
 

                                E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
                                Pois só quem ama pode ter ouvido
                                Capaz de ouvir e de entender estrelas."

Talvez devamos fazer o que Olavo Bilac diz nesse poema. Acho que estamos precisando ouvir estrelas.



Escrito por Passeando no Parque às 01h33 PM
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