Passeando no Parque
   Quando eu era jovem...

Quando eu era jovem, eu pensava que com a arte seria possível mudar o mundo.

Eu buscava constantemente um espetáculo que pudesse despertar no coração do público uma esperança.

Eu queria mostrar uma maneira diferente de viver, com mais amizade, criatividade, sem a obrigação de perseguir o dinheiro e o poder. Ilusão fútil que eu nunca consegui alcançar. Não só a revolução não chegou, como as pessoas se tornaram cada vez mais loucas e materialistas.

Quando eu me dei conta disto eu vivi momentos difíceis pensando, pensando inclusive que minha vida era um fracasso e que todo esforço era inútil.

Mas um dia eu tive uma revelação: se não se pode mudar o mundo, pelo menos é possível mudar a si mesmo, encontrar algo em seu coração, um desejo, uma necessidade e entregar-se totalmente a ele, sem olhar para trás. Isso não é para a sociedade ou para os outros, não, é para você mesmo.

E eu fazendo esse palhaço que eu sou, eu encontrei essa coisa. Provocar, burlar e fazer o público rir. Isso era tudo o que eu buscava em minha vida. Por certo eu não mudava o mundo, mas os palhaços nunca mudaram o mundo, passam o tempo tentando sem nunca conseguir, por isso são palhaços.

Os palhaços gostam do fracasso e das ações ineficazes, são perdedores alegres e isto é a verdadeira força que têm, nunca se cansam de perder. Desfrutam de cada fracasso e voltam em seguida a fracassar de novo, diluindo assim as certezas das pessoas sérias e que nunca duvidam.

Então, esse sangue que pareço ter na minha cabeça, esse sangue que tenho sobre a minha camisa, esse sangue que tenho no meu coração, esse sangue que está todo em mim é tão patético e inútil em seu simbolismo porque é sangue de um palhaço. Um sangue que não vem de uma grande luta ou em nome de uma causa heroica. É sangue de brincadeira, ao mesmo tempo verdadeiro e pouco importante.

(Anônimo)



Escrito por Passeando no Parque às 12h24 PM
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Escrito por Passeando no Parque às 01h02 AM
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Parecia mais um dia comum, como outro qualquer, mas a sensação que ele tinha era inconfundível - havia algo diferente naquela manhã.
Era a sensação de que algo novo acontecia, um sentimento de renovação que o fazia sentir-se vivo novamente, como se houvesse despertado daquele estado letárgico em que se encontrava ha tanto tempo.
 A vida se tingia de novas cores e respirar se tornava mais fácil, como se finalmente a noite tempestuosa desse lugar a uma bela manhã de céu azul.
Sim, havia mesmo algo de diferente naquela manhã... Ela chegara em sua vida!



Escrito por Passeando no Parque às 11h43 AM
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   Trampolim

Põe os pés no chão e toca o ar Trampolim
Bate no tambor de onde vens
Só de ser quem és inventa o amor
Só de ser quem és inventa o amor
Sem dizer palavra

Pobre coração mergulhador, ai de mim
Beira de que mar eu ancorei
Se for pedir perdão, já perdoei
Se for pedir perdão, já perdoei
Pode se alegrar
Põe os pés no chão e toca o ar Trampolim

(José Miguel Visnik - Ronaldo Bastos)



Escrito por Passeando no Parque às 07h39 PM
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   Voltando à Blogosfera (acho... rs)

Depois de um longo e tenebroso inverno, resolvi postar alguma coisa nova. Pra falar a verdade, nem é muito nova, pois vou republicar um texto que escrevi tempos atrás.
Acontece algo bem interessante, quando as pessoas visitam este blog. A idéia que fazem é de que o "parque" do título se refere a um parque daqueles arborizados, floridos, onde as pessoas vão caminhar, andar de bicicleta, namorar nos bancos etc. Porém a minha idéia é de um parque de diversões - daqueles antigos, com carrossel, roda-gigante e algodão doce cor-de-rosa. De qualquer forma, não me oponho a quem prefira a outra imagem, afinal, o parque é público e cada um o vê como achar melhor. O importante é que, qualquer que seja a imagem, as pessoas se sintam bem ao passear por aqui
Piscadela.

Dito isso, aí vai o texto.

 

Sobre pessoas e parques.


Minha idéia de parques de diversão pode parecer um tanto antiquada, pois ela ainda se refere a roda-gigante, carrossel e algodão doce cor-de-rosa. Nada contra esses modernos centros de tortura, com torres das quais se despenca de uma altura enorme e que fazem nossos estômagos sairem boca a fora; ou aqueles barcos com movimentos pendulares - que nada lembram a delicadeza dos pêndulos dos antigos relógios de parede. Tudo bem, o mundo é dinâmico e há gosto para tudo.
Porém o meu parque é dos antigos - é de um tempo em que a vida parecia andar mais devagar, como o próprio movimento do carrossel. Nada de adrenalina, de fortes emoções, ou estômagos revirados. Tudo calmo e sossegado, sem pressa. É deste parque que gosto. É por ele que vivo passeando.
Conheço pessoas assim. Fala mansa, ouvem mais do que falam e, quando falam, a gente fica maravilhado. São pessoas-parques-de-diversão. Há poucas delas por aí, porque perderam seu espaço para as pessoas-centro-de-torturas. Andam meio escondidas, quase que com vergonha de se mostrar. Quando as percebem, muitos apontam-lhes o dedo, fazendo troça. Dizem delas que pararam no tempo, que são saudosistas, que não se adequaram aos novos tempos. Pura inveja ou incompreensão. E digo mais: se há algum parque-de-diversão lendo este texto, não se deixe intimidar pelos centros-de-tortura. Eles são efêmeros. Deles não sobra nada, nem a lembrança, tão fugazes que são.
Se ainda há esperança de arrumação para este mundo insano em que vivemos, ela passa pelos parques-de-diversão, com suas rodas-gigantes, carrosséis e algodões doces cor-de-rosa.
E se um dia você encontrar com alguns deles por aí, não tenha medo e nem saia correndo, pois não são criaturas de outro planeta. São apenas seres humanos que guardaram consigo a delicadeza, a generosidade, a humildade, o altruísmo e o respeito pela vida - a deles e a de todos os outros.



Escrito por Passeando no Parque às 06h12 PM
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Porque estou sentindo uma saudade enorme dela, republico este post...

A moça e o passarinho

Na janela aberta pousa o passarinho
Admirado com o olhar
Da senhorinha.

Tem vontade de cantar.

Da janela aberta voa o passarinho
Leva no canto a enluarada princesinha.

Tem vontade de voltar.

À janela aberta volta sempre o passarinho
Traz no canto a melodia da modinha
Um presente à delicada senhorinha.

Tem vontade de ficar.

Pela janela aberta entra o passarinho
E no doce olhar da enluarada sinhazinha
Pousa feliz e faz seu ninho.




Escrito por Passeando no Parque às 08h22 PM
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   Poema de Natal

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

(Vinícius de Moraes)

 



Escrito por Passeando no Parque às 08h52 PM
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"ACASO

"Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, pois cada pessoa é única
e nenhuma substitui outra.
Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, mas não vai só
nem nos deixa sós.
Leva um pouco de nós mesmos,
deixa um pouco de si mesmo.
Há os que levam muito,
mas não há os que não levam nada.
Essa é a maior responsabilidade de nossa vida,
e a prova de que duas almas
não se encontram ao acaso. "

(Antoine de Saint-Exupéry)



Escrito por Passeando no Parque às 08h44 AM
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   (Re)Encontros

Acho que essas coisas acontecem pra que não fiquemos simplesmente sentados à margem do caminho, olhando com indiferença a vida passar. Há mais coisas nessa estrada que se chama vida, do que imagina a nossa vã filosofia rs. 

Escrito por Passeando no Parque às 04h19 PM
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   Sobre o amor

"...só aquele que permanece inteiramente ele próprio pode, com o tempo, permanecer objeto do amor, porque só ele é capaz de simbolizar para o outro a vida, ser sentido como tal. Assim, nada há de mais inepto em amor do que se adaptar um ao outro, de se polir um contra o outro, e todo esse sistema interminável de concessões mútuas... e, quanto mais os seres chegam ao extremo do refinamento, tanto mais é funesto de se enxertar um sobre o outro, em nome do amor, de se transformar um em parasita do outro, quando cada um deles deve se enraizar robustamente em um solo particular, a fim de se tornar todo um mundo para o outro." (Lou Andréas Salomé)



Escrito por Passeando no Parque às 02h51 PM
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O texto abaixo é um comentário deixado no penúltimo post. Peço licença à autora para fazer dele um post. Sei que ela não se incomodará. Um texto assim merece estar destacado. Muito deste blog foi inspirado nas conversas que tive com ela. Por isso publico aqui esse texto. Uma pequena homenagem a essa pessoa maravilhosa, que escreve coisas belíssimas e que faz a vida da gente ser mais colorida e alegre.

 

O Parque

 

O parque esteve em coma. Ele tinha vida, mas era superdependente de seu amoroso dono, que por um motivo que não nos diz respeito um dia decidiu não mais sonhar.

O parque se ressentiu, foi ficando doente, seus órgãos foram enferrujando e o solo que o sustentava foi ficando árido, sem verde e sem nenhuma outra cor. De um lado o parque; do outro seu dono; e no canto as pessoas que costumavam vir passear neste agradável lugar, saudosas e cabisbaixas... Elas não se conformaram com a morte do parque e resolveram, então, arrumar as coisas para que ele não se tornasse apenas uma lembrança. Saíram do buraco da fechadura e arregaçaram as mangas. Plantaram flores. Pintaram estrelas. Desenharam as rodas gigantes e também o carrossel.

O parque primeiramente se enfezou com aquelas mãos estranhas sobre seu corpo. "Onde já se viu me tocarem dessa forma?" Mas o calor de cada uma delas foi lhe trazendo esperanças e vida. O dono, ao ver todos reunidos, sentiu que era possível transformar sonhos em realidade e se juntou aos amigos e compartilhou com eles as reformas do então “filho” esquecido. As expectativas do dono do parque diminuíram e a do próprio parque também. "Trazer muitas expectativas na mente é como trazer um frasco de veneno disponível para ser tomado na primeira frustração", ambos refletiram, aliados àqueles que tanto gostavam deles... A vida é bela, mas nunca será perfeita... Pois não existe a menor chance de acabarmos com todas as coisas que nos incomodam.

Cada dia que passava o parque ia esquecendo de suas dores, de algumas ilusões, e seu coração ia pegando o ritmo que possui a vida. O ritmo que não pára, mesmo diante dos obstáculos. O parque optou por ser parque e ser feliz. Essa felicidade irradiou e o dono voltou a ser amoroso e feliz. As pessoas também ficaram felizes. E todos sentiram que não existe um outro tempo, senão o presente, para tocar os nossos corações e nos trazer de volta a paz e a felicidade, que é um sentimento que depende de nós. "Vamos lá. Vamos aproveitar o absurdo dessa vida, e rir a beça e sermos mais felizes", gritou alguém correndo com um doce algodão nas mãos.... (26/03/2006)



Escrito por Passeando no Parque às 01h14 AM
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   Sinalzinho de vida

Faz-de-conta.

Se não tem lua, clareia.
Se não tem estrela, brilha.
Se não tem noite, escurece.
Se não tem música, assovia.
Se não tem flor, planta.
Se não tem passarinho, voa.
Sonha, homem. Sonha!
Não pára de sonhar,
Que o mundo, um dia,

Será dos sonhadores.



Escrito por Passeando no Parque às 11h00 AM
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Estou vivo!

Pra que ninguém pense que eu morri, uma passadinha básica pelo parque rs. Tá abandonado, o pobre. Tô pensando em uma reformulação geral, mas ainda não sei por onde começar. Também pensei em fechá-lo de vez, mas desisti da idéia, porque sei que o reabriria e acabaria parecendo jogo de cena rs. A verdade é que gosto dele, mas tô enjoado da cara dele. Deu pra entender? rs

Bom, então me aguardem, se é que já não se cansaram de aguardar rs.



Escrito por Passeando no Parque às 05h51 PM
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A Última Hora

Toda a gente está morrendo.
Surpresa? Não.
Que novidade há nisso?
Morremos todos os dias.
Eu já morri muitas vezes.
Esse não é o grande problema.
O pior de tudo é quando cansamos de renascer.
Eu cansei.
Renasço agora para morrer uma última vez.
Que seja esta a minha última hora.
Definifivamente...



Escrito por Passeando no Parque às 10h23 AM
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A Penúltima Hora

(Carta para uma amiga especial)

O céu não mais azulou
O ipê não mais floresceu
O passarinho não mais cantou
O violão não mais tocou
A estrela não mais brilhou
O sonhador não mais sonhou
E a amiga com quem brincou?
Foi embora - tudo se acabou.

Queria-te de volta, amiga minha, trazendo o azul daquele céu e as flores multicores do ipê. Trazendo de volta a música, o brilho da estrela, o sonho do sonhador. Trazendo a vida como ela era - brincante, dançante, encantante, rodopiante. Trazendo de volta o teu ser-feliz.
Sempre tive medo dessa hora, a hora da derradeira despedida, que sempre imaginei assim: silenciosa, sem avisos a antecipá-la. Sabia que contigo seria dessa forma. Tentei me preparar, mas, confesso, foi em vão.
Sinto saudades das conversas, das brincadeiras, de todo aquele clima encantado que se formava quando nos encontrávamos. Sinto saudades de ti.
Pra ti eu era um parque-de-diversões, o amigo cor-de-rosa (a mais bela definição de amigo que já vi); pra mim, eras um mundo diferente, com tempo e espaço próprios.
Não foi fácil assimilar-te, mas tiveste paciência, e foi isso, talvez, o que mais admirei em ti.
Não há muito a falar, pois tivemos a oportunidade, raríssima, de tudo dizer um ao outro enquanto era possível. Isso é amizade, e tu me mostraste o verdadeiro valor do amor de amigo.
Amiga sem rosto, amiga sem voz, amiga invisível, hoje, aqui neste parque a que nunca vieste, vejo teus sinais a todo momento.
E esta saudade que sinto, mesmo que por vezes dolorosa, é o presente mais delicado dentre todos que me deste, porque é nela que te terei pra sempre.
Um beijo meu pra ti, minha amiga eternamente especial.



Escrito por Passeando no Parque às 07h06 PM
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BRASIL, Sudeste, Homem, de 46 a 55 anos


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